IA vs IE ou IA & IE?
O que é mais importante: sabermos usar a IA ou sabermos pensar sobre o que a IA nos oferece?
Sem dúvida alguma que o domínio técnico das ferramentas de IA, é atualmente, um dos fatores centrais de competitividade das empresas. Diria até que num futuro muito próximo será fator não somente de competitividade, mas até mesmo de pura existência… as empresas que não souberem utilizar e rentabilizar as ferramentas de IA existentes de forma adaptada à sua atividade deixarão de conseguir estar presentes no mercado.
Ou seja, será fator não de competitividade, mas de entrada e permanência no mercado. Podemos comparar esta dimensão da IA com o que aconteceu com a questão da qualidade no contexto empresarial português. Em meados da década de 90 e até mais ou menos finais da década seguinte, a detenção de uma certificação e/ou selos de qualidade por parte de uma empresa, funcionava como relevante fator de diferenciação… atualmente é “apenas” uma exigência básica para existir no mercado.
Então qual será o próximo fator de diferenciação, num contexto em que o acesso e utilização da IA passará a ser condição de existência para as empresas? A resposta reside na utilização que cada empresa souber fazer daquilo que a IA oferece… a resposta assentará na capacidade de pensar de forma crítica e criteriosa sobre aquilo que a IA nos entrega.
O World Economic Forum, no Future of Jobs Report 2025, (https://www.weforum.org/stories/jobs-and-the-future-of-work/future-of-jobs-report-2025-jobs-of-the-future-and-the-skills-you-need-to-get-them/ ) confirma esta tendência de forma clara: “IA e Big Data” lidera a lista de competências em crescimento até 2030 — mas logo a seguir, no top 10, mantém-se o pensamento analítico, e mesmo mais acima, o pensamento criativo, a resiliência e a flexibilidade. Comprovadamente a procura por competências técnicas de IA não está a substituir a procura por competências humanas, competências de IE. Pelo contrário, está sim, a acontecer uma procura crescente ao mesmo tempo, e cada vez com mais peso e maior relevância.
Quanto mais cresce a IA e sua utilização nas organizações, mais relevante e necessária se torna o recurso à utilização da IE.
Nas palavras de Daniel Goleman, na conferência RIW 2025, (https://rioinnovationweek.com.br/ ): “…a IA nunca vai superar a profundidade das emoções humanas”. Por muito sofisticadas que as tarefas que a IA assume se tornem, não serão capazes de replicar a unicidade e riqueza da experiência emocional humana. E é justamente aí, nos contextos onde a máquina não chega, que a IE e suas competências associadas, se mantêm insubstituíveis.
- Resolução de problemas — a capacidade de encontrar soluções para problemas em que as emoções estão envolvidas, saber pensar sobre as diferentes soluções para cada problema, antes de aceitar a primeira solução que nos é apresentada.
- Teste da realidade — é a capacidade de manter a objetividade, vendo as coisas como elas realmente são, o que implica por um lado, a capacidade de confrontar uma informação com a realidade concreta, e por outro saber quando e como essa visão da realidade é condicionada pelas nossas emoções.
- Controlo de impulsos — a capacidade de resistir ou conter um impulso, tendência ou tentação de agir, dando espaço à reflexão antes da decisão.
Estas três competências são um exemplo que consegue evidenciar de forma muito prática, exatamente aquilo que separa quem usa a IA apenas como atalho para “pensar menos”, de quem a usa como ferramenta para pensar e decidir melhor.
Um plano, uma resposta, uma decisão gerada por IA pode estar muito bem escrita e estruturada, e ainda assim, estar errada ou incompleta ou até mesmo desligada da realidade específica da tua empresa, do teu departamento, da tua função. Estará, sem dúvida, desligada do teu estado emocional e da tua capacidade de gestão emocional (geral e no momento).
Sem teste da realidade, aceitamo-la, sem a questionar. Sem resolução de problemas, usamo-la para responder (porventura de forma errada) rapidamente. Sem controlo de impulsos, colocamo-la imediatamente em prática, antes de a validar.
IA sem IE não é diferenciação — é apenas velocidade sem direção
Sem dúvida que a IA está a democratizar de forma muito acelerada o acesso ao conhecimento, mas ainda não consegue democratizar a capacidade de pensar; de sentir; de perceber, expressar e gerir emoções; de relacionar com os outros; de criar empatia; de flexibilizar e decidir bem. Essas continuam a ser competências humanas, competências de Inteligência Emocional.
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